Chegada do crack eleva mortes nas cidades
A chegada do crack a uma cidade pode provocar uma explosão de homicídios nos anos seguintes. Essa associação aparece na maior pesquisa já feita no país sobre a droga, que aborda o caso de Belo Horizonte. O estudo é coordenado pelo sociólogo Luis Flavio Sapori, professor da PUC-MG (Pontifícia Universidade Católica).Crack
Até 1996, quando o crack era incipiente na capital mineira, as mortes provocadas por conflitos gerados por drogas ilícitas eram 8,3%. Entre 2005 e 2006, esse índice quadruplicou --foi para 33,3%. Os homicídios estão em queda naquela cidade, mas os motivados pelo crack não param de crescer.
O crack provoca uma letalidade maior do que as outras drogas, segundo o pesquisador, por causa do tipo de dependência que provoca --muito mais severa do que maconha ou cocaína. Como a fissura é incontrolável, o vício é seguido de um endividamento crescente.
"Quem não paga a droga, paga com a própria vida", diz Sapori. Um dos traficantes entrevistados dá uma pista sobre como ocorre um assassinato: "O traficante não mata o usuário porque ele está devendo. Ele mata porque ele é um sem-vergonha [...] e foi comprar na outra boca".
A pesquisa é considerada a maior do país porque analisou 671 inquéritos de homicídios (de 1993 e 2006) e ouviu 19 traficantes, 23 usuários e 84 profissionais que tratam dependentes.
A queda dos homicídios em Belo Horizonte a partir de 2004, quando aumentam os crimes motivados por drogas, não derruba a hipótese de que o crack e homicídios andam juntos, diz Sapori.


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