Opinião
Em período de eleições , é natural que candidatos apareçam dizendo o que pretendem fazer pelas cidades. Ou que executem obras eleitoreiras para população ver. No caso de Júlio César (PSD), porém, há um episódio recente que permite inverter essa lógica em Teresina: antes de pedir o voto (não podia e ainda nem pode) do teresinense para o Senado, o deputado tem o que mostrar sobre sua atuação em defesa da capital.
Um dos exemplos mais expressivos envolve cerca de R$ 500 milhões. Quando Teresina corria o risco de sofrer uma forte redução nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), em razão dos efeitos da queda populacional apontada pelo Censo, Júlio César participou da articulação para preservar o coeficiente utilizado no cálculo dos recursos destinados à cidade. Valores já perdidos.
Não se trata de um número pequeno nem de uma discussão restrita aos gabinetes de Brasília. Meio bilhão de reais faz diferença no funcionamento de uma capital como Teresina. São recursos que ajudam a sustentar investimentos, serviços públicos, saúde, educação, infraestrutura e a própria capacidade financeira do município.
Há ainda um detalhe político que dá peso ao episódio: o reconhecimento veio também do prefeito Silvio Mendes, adversário político do grupo ao qual Júlio César pertence. Quando a preservação dos recursos foi confirmada, Silvio reconheceu publicamente a participação do parlamentar na articulação. Em tempos de polarização, o reconhecimento de quem está do outro lado talvez diga mais do que qualquer peça de propaganda.
A atuação também não começou nesse episódio. Júlio César construiu boa parte de sua trajetória no Congresso em torno da pauta municipalista e participou das discussões que ampliaram os repasses do FPM aos municípios. Segundo o próprio deputado, somente os aumentos conquistados para o fundo representaram aproximadamente R$ 150 milhões adicionais para Teresina no último ano.
É justamente aí que a discussão eleitoral ganha outro sentido. Júlio César agora disputa uma das duas vagas do Piauí no Senado e precisa ampliar sua identificação com o eleitor da capital. Teresina é o maior colégio eleitoral do estado e será decisiva na eleição. Mais do que apresentar promessas, portanto, o candidato tem a oportunidade de colocar na mesa aquilo que já fez.
Os R$ 500 milhões preservados são um bom exemplo. Talvez muita gente em Teresina sequer saiba da participação de Júlio César nesse episódio. E esse parece ser, neste momento, um dos desafios de sua campanha na capital: transformar uma longa atuação parlamentar, muitas vezes conhecida por prefeitos e gestores públicos, em informação que chegue diretamente à população.
No fim das contas, a pergunta que interessa ao eleitor é bastante simples: o que esse candidato já fez pela minha cidade? No caso de Júlio César, Teresina começa a encontrar respostas concretas.
Josué Nogueira/Assessoria de Comunicação

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