Mão Santa - Foto PC
Francisco de Assis de Moraes Souza, o “Mão Santa” (PSC), inaugurou um capítulo diferente na política piauiense, em 1994, ao se eleger governador. Partiu para a disputa praticamente sozinho e desacreditado enfrentando a mais poderosa máquina política do estado, em toda a história. E mesmo assim foi vitorioso.
Ele pensa em repetir o feito agora – e já está até formando uma chapa. Anunciou nesta semana de carnaval, em Luis Correia, que poderá ser candidato a governador novamente. Enfatiza que sua possível candidatura dependerá da postura a ser assumida pelo sobrinho, Antonio José Moraes Souza Filho, o “Zé Filho”, que deve assumir o governo em 4 de abril próximo com a renúncia do governador Wilson Martins.
Se Zé Filho decidir ser candidato, violando o compromisso assumido em 2 de janeiro com o esquema governista, de apoiar a candidatura do deputado federal Marcelo Castro e do ex-prefeito de Teresina, Silvio Mendes, Mão Santa promete se recolher a um novo projeto, possivelmente disputar uma vaga para a Assembleia Legislativa. Caso contrário, concorrerá ao executivo estadual na condição de “azarão”, como já fez antes – e se deu bem.
O político foi deputado estadual entre 1976/82. No pleito seguinte concorreu a Câmara Federal e não conseguiu êxito. Em 1988 foi vitorioso na disputa pela prefeitura de Parnaíba. Em 1992, ao deixar a chefia do executivo parnaibano, anunciou que queria ser candidato a vice na chapa liderada pelo deputado Átila Lira, então no PFL. Mas foi rejeitado pelo presidente regional do seu partido, o PDS, o então senador Lucídio Portella.
Foi por isso que ele passou para a oposição e seria candidato a vice do professor Wall Ferraz, que decidiu permanecer na prefeitura de Teresina, abrindo espaço para a candidatura de Mão Santa. Ele foi colocado na disputa para perder, porém ganhou. “A oposição é um estado de espírito. No Piauí, sempre teve de 35% a 40% dos votos. Neste momento, pretendo encampar a bandeira oposicionista, diante da completa ausência de candidatos com que a população possa se identificar.”
No seu entender nem Marcelo Castro (PMDB) nem Wellington Dias (PT) representam qualquer contestação ao modelo administrativo atual. Ele seria uma terceira via competitiva. E já tem uma chapa formada com Luis Coelho, ex-prefeito de Paulistana e ex-presidente da APPM (Associação Piauiense de Municípios) como possível candidato a vice, e José Maia Filho, o “Mainha”, atualmente no PROS (Partido Solidariedade), como candidato a senador.
Mas tem contra si um considerável histórico de derrotas recentes. Nada menos que seis. Perdeu a eleição de 2004 para as prefeituras de Teresina e de Parnaíba, em que apresentou os nomes da mulher, Adalgisa, e do filho, Mãosantinha, respectivamente; de 2006, para o governo do estado, em que concorreu contra o governador Wellington Dias; de 2008, novamente para a prefeitura de Parnaíba, com o nome da mulher; de 2010, quando tentou a reeleição para o Senado – e não conseguiu; e de 2012, quando foi derrotado em Parnaíba pelo atual prefeito Florentino Neto (PT).
Uma provável candidatura de Mão Santa pode levar a disputa de outubro deste ano para o segundo turno. Com a polarização atual é possível que o pleito seja decidido ainda na primeira etapa. Com esta possibilidade, tudo pode acontecer.
Toni Rodrigues - 180 graus

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