04/02/2014

ARTIGO*

Campanha na TV para as eleições de 2014

O emparedamento a que foi e está sendo submetida a classe política país afora, sobretudo depois das manifestações de junho de 2013, deve produzir seus efeitos em alguns setores. O marketing para as campanhas eleitorais de 2014 obviamente será um deles.
Um grande desafio para os marqueteiros nas campanhas dos candidatos. 

Disso não há nenhuma dúvida. Os clichês devem ser abandonados em nome de uma campanha que ainda não se sabe como deverá ser produzida, conduzida, veiculada.

No tocante aos políticos, especialmente aos detentores de mandato, vale lembrar, no entanto, antes de seguir adiante, que nem todos podem ser lançados na vala comum. É preciso reconhecer que há bons e maus políticos, como em toda categoria.

Indaguei a um conhecido marqueteiro da capital, com vasta experiência na área, sobre como seria uma campanha diante de uma sociedade que cada vez mais não confia nos políticos, detesta a morosidade do judiciário, e desconfia de tudo que remete à atuação do poder público.

O marqueteiro respondeu: muito conteúdo. Mas que conteúdo? Como apresentar esses conteúdos? Como mostrar propostas de candidatos em vídeo - uma das principais veiculações das campanhas eleitorais - que possam convencer eleitores a optar por este ou aquele candidato? Este é, pois, o grande desafio.

A fórmula usual, baseada em pesquisas qualitativas, é o norte a partir do qual a campanha se delineia, se projeta, entre outras estratégias. Mas como prevê  que os movimentos de junho de 2013, possam ser abordados de modo adequado? 

E já sinais claros de que numa nova versão das manifestações ocorridas em 2013 se repitam em 2014. 

Saúde, educação, segurança, transporte público, mobilidade urbana, e outros temas que levaram milhões de pessoas a protestar pelas ruas das capitais e do interior do país, numa mobilização que nos fez lembrar o mesmo vigor das manifestações em prol das diretas já e do fora Collor, embora estas tenham sido lideradas por grupos e figuras políticas que se colocaram naquele momento como mediadoras do interesse coletivo.

De que modo, além dos concorrentes a presidente, outras candidaturas país afora podem mostrar compromissos com essas pautas no decorrer de suas campanhas?

A figura do candidato abraçando e beijando crianças, clichê utilizado exaustivamente, entre outros, nas imagens de TV, parecerá um recurso que além de despertar a antipatia do telespectador/eleitor, se mostrará inepto, piegas, como algo propositivo.

Que sentimentos ou percepção o eleitor teria em relação a um gesto tão real do ponto de vista da imagem e tão desprovido de sinceridade como este? Que atributos poderiam ser colados à figura de um candidato com tal gesto?

O eleitor quer saber é o que o candidato tem de atitude concreta para resolver questões que o aflige em áreas como as citadas acima. Ele não quer saber de retórica, de gestos efusivos de um entusiasmo que não gera o mesmo no eleitor, de dedos em V em sinal de vitória, outro clichê.

Falar de modo genérico sobre saneamento básico, saúde, educação, segurança, mobilidade urbana, entre outras demandas da população, sem apresentar como essas ações possam ser desenvolvidas para solucioná-las, não o interessa. E o tempo em TV, tratando-se de campanha eleitoral, é sempre escasso.

Eis, portanto, o desafio dos marqueteiros.

Carlos Augusto Barbosa é jornalista.

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